LIBERTE-SE DA TIMIDEZ

timidez

*por Meiry Kamia

Habilidades como ser sociável, comunicativo, apresentar projetos, estão sendo cada vez mais valorizadas nas empresas. E, a timidez pode atrapalhar, e muito, o seu desempenho no trabalho ou até mesmo “empacar” seu sucesso profissional, além disso, pode ser um grande empecilho para as conquistas amorosas e relacionamentos sociais. Se você se considera tímido demais, seguem seis dicas para se libertar desse aprisionamento psicológico:

  1. ASSUMA QUE VOCÊ QUER: mudar comportamentos não é algo fácil de fazer, requer disciplina, força de vontade e muito foco. É comum, em meio a processos de mudança de comportamentos, que a vontade de desistir apareça, mas é preciso que a força de vontade vença sempre. Para isso, faça um acordo com você mesmo. Prometa que deseja mudar. A cada pensamento de desistência, lembre-se do que deseja deixar para trás (a timidez), e o que deseja alcançar: a liberdade de expressão, a espontaneidade. Assim manterá força motivacional para continuar a seguir em frente.
  2. REBAIXE O CRÍTICO INTERNO: pessoas tímidas normalmente são muito rígidas consigo mesmas. Não se permitem errar e, quando erram tendem a punir a si mesmas (“como sou burra”; “que idiota eu fui!” etc). Seu crítico interno é muito severo. Pessoas tímidas só se aceitam se forem perfeitas, mas ninguém é, aceite que é um ser humano como todos os outros, e que pode errar. Tire o poder do “crítico interno”. Toda vez que achar que errou, ou que falou algo indevido, ou passou algum vexame, seja compreensivo. Desenvolva a humildade. Assuma que fez o melhor que pôde, e que na próxima vez, irá melhorar. Trate-se como trataria uma criança, dê força a si mesma, diga a si mesma que irá conseguir que está ótima etc.
  3. VALORIZE SEUS PONTOS POSITIVOS: pessoas tímidas conhecem bem seus pontos negativos e raramente conhecem os pontos positivos. Faça uma lista de dez coisas que você faz bem e faça delas seus diferenciais. Saber que carrega em si coisas positivas aumenta a autoconfiança e autoestima. Conheça também os assuntos de que gosta, leia sobre eles, veja filmes, isso lhe ajudará a puxar e manter conversas em eventos sociais ou encontro com amigos.
  4. CUIDE DA AUTOIMAGEM: arrume-se! Penteie os cabelos, apare as unhas, cuide das roupas, aprenda a gostar de cuidar de si mesma. Além disso, uma boa imagem ajuda a manter a autoconfiança.
  5. ENFRENTE: aproveite cada chance que a vida lhe oferece para se testar: aceite convites para festas, happy hours, cumprimente pessoas desconhecidas mesmo que com um simples sorriso e aceno de cabeça, se alguém puxou conversa e procure mantê-la. Timidez se vence com esforço.
  6. SEJA PERSISTENTE: encontros sociais causam muita ansiedade nos tímidos e a vontade é sempre de “sair correndo” e se esconder. Quando isso acontecer, mantenha a calma. Quanto mais enfrentar o medo, mais fraco o medo se tornará. Para mudar efetivamente um comportamento, ele deve ser transformado em hábito. Isso significa que ele deve ser repetido diariamente, de forma consciente, por pelo menos trinta dias. Após esse período, você verá que os desafios se tornarão mais fáceis de transpor porque você já terá se habituado a eles.

MEIRY KAMIA é Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Consultora Organizacional e Docente em MBA de Gestão de Pessoas. Também é ilusionista, premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais e treinamentos diferenciados, aliando Arte Mágica, Teatro e Psicologia.

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Não consigo dizer “não”!

DizerNao

Bom dia prezada Meiry Kamia, desejo saber se é normal dizer sempre sim, em algumas situações esqueço das minhas próprias decisões. Até mudo se for necessário para dizer sim.  (codinome: Natividade)

Prezada “Natividade”, dizer sim para tudo e o tempo todo não é saudável.  Principalmente quando permitimos que as pessoas invadam nosso espaço pessoal ou quando nos submetemos a fazer coisas que não gostamos, ou que vão contra as nossas crenças/valores. Permitir que isso ocorra com frequência só faz aumentar o ressentimento, a raiva, a frustração, além de acabar com a auto estima.  Um pouco de egoísmo, nesse caso, é necessário para preservar seu espaço pessoal e auto estima, mas cuidado para não começar a dizer “não” para tudo, se isso acontecer é porque a balança pendeu demais para o outro lado. Realmente, não é fácil encontrar o equilíbrio entre atender as suas necessidades e as necessidades dos outros.

Outro ponto importante é entender que “não concordar com a opinião dos outros” não significa “não gostar dos outros”, significa simplesmente que você pensa diferente. Não há mal nenhum nisso. Você também não é obrigada a entrar numa briga por não concordar. Também não tema não ser aceita ou amada simplesmente porque pensa de forma diferente. De fato, as pessoas gostam das pessoas autênticas, verdadeiras, e das não pessoas que se moldam à opinião de outras pessoas simplesmente porque têm medo de serem rejeitadas.

Meiry Kamia

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A IMPORTÂNCIA DO HAPPY HOUR

happy-hour

Por Meiry Kamia

Quem disse que sentar em um barzinho com amigos após o expediente de trabalho é perda de tempo? Saiba que participar de happy hours além de prazeroso, ajuda a manter seu patrimônio social, e ainda pode ser de grande ajuda nos momentos de recolocação.

Infelizmente, muitas pessoas deixam de cultivar os relacionamentos do trabalho por preguiça, e até mesmo preconceito, achando que estão sendo falsos. No final, acabam se isolando, deixando de usufruir dos bons momentos que o trabalho e a vida proporcionam, além de perderem grandes oportunidades de trabalho que chegam através dos amigos. Pesquisas indicam que as indicações são responsáveis por pelo menos 70% das recolocações.

Veja como potencializar os bons momentos após o trabalho:

  • Procure manter conversas positivas: os happy hours são momentos de descontração, portanto, evite dominar a conversa falando sobre seus problemas pessoais.
  • Evite reclamar do chefe, dos colegas de trabalho e da empresa: apesar de parecer apenas desabafo, ações como essas podem gerar mal estendidos, além de manchar sua reputação. Lembre-se que você está com pessoas do seu trabalho.
  • Comemore vitórias: valorizar as pequenas conquistas do dia-a-dia ajudam a manter o ânimo e a motivação. Celebrar com amigos alimenta o espírito de equipe lembrando a todos que ninguém está sozinho, e aumenta a confiança para as próximas conquistas.
  • Frequente outras redes sociais: tenha o hábito de aceitar convites de amigos e conheça os amigos de seus amigos. Amplie os encontros, almoce com pessoas diferentes pelo menos uma vez por semana.
  • Cultive os relacionamentos: crie o hábito de manter contato com os novos conhecidos. Ligue, mande mensagens, dedique algum tempo para os amigos. Evite ligar para as pessoas apenas quando precisa de um favor. Todos gostam de ajudar, mas ninguém quer se sentir “usado”.
  • Cuidado com os excessos: beber demais pode fazer com que você perca o limite do bom senso. Apesar de não estar mais no horário de expediente, querendo ou não, você é representante de sua empresa. Um vexame pode comprometer sua imagem profissional, fazendo com que você seja lembrado pelas gafes que cometeu e não pela boa companhia que você é.

MEIRY KAMIA – Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Consultora Organizacional e Docente em MBA de Gestão de Pessoas. Também é ilusionista, premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais e treinamentos diferenciados, aliando Arte Mágica, Teatro e Psicologia. Site: http://www.meirykamia.com; contatos: 11-2359-6553; contato@meirykamia.com

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ASSESSORIA DE IMPRENSA DA MEIRY KAMIA

Versátil Comunicação Estratégica (www.versatilcomunicacao.com.br)
Vitor Deyrmandjian (vitor@versatilcomunicacao.com.br) Tel. (11) 2832-5509
Mariana Vieira (mariana@versatilcomunicacao.com.br)  Tel. (11) 2832-5505
Sandra Takata (sandra@versatilcomunicacao.com.br) – Tel. (11) 2832-5507

COMO LIDAR COM A FALSIDADE DO TRABALHO

falsidade

Por Meiry Kamia

http://www.meirykamia.com

No mundo competitivo é comum vermos pessoas que não medem esforços para conquistar o que desejam, mesmo que isso custe causar prejuízos aos próprios colegas de trabalho.

Quem não conhece aquela pessoa que se mostra simpática demais, sorridente demais, solícita demais, gentil demais, amigável demais, mas um dia você descobre que, pelas costas, ela fala mal do seu trabalho e te “queima” com seu chefe. Como conviver com esse tipo de pessoa e ainda continuar entregando um bom trabalho? Veja as dicas de como lidar com pessoas falsas no ambiente de trabalho:

1) Tenha consciência de que você não tem o poder de mudar o comportamento nem as atitudes de outras pessoas, mas pode mudar a forma como você reage a elas.

2) Neutralize a situação e proteja-se transmitindo à pessoa em questão apenas informações essenciais de trabalho. Seja breve e objetivo(a) na conversa e evite falar sobre assuntos pessoais ou fazer comentários que possam ser usados contra você.

3) Se houver algum mal entendido ou fofoca, chame a pessoa para conversar a sós, num local e momento apropriado para esclarecer o ocorrido. Evite fazer alardes.

4) Evite demonstrar irritabilidade dando indiretas, ou fazendo comentários sobre sua raiva de ter que conviver com pessoas assim. Comportamentos como esses apenas te desmoralizam dando a impressão de que você é o “descontrolado” da história.

5) Não pague na mesma moeda. Lembre-se de que o “falso” é o outro e não você. Tentar ser falso também dispensa muita energia que poderia ser empregada no seu trabalho.

6) Foque no resultado do seu trabalho e faça o melhor possível. Você deixa sua marca no mundo através do resultado do seu trabalho. E contra fatos não há argumentos.

Apesar de difíceis de lidar, as pessoas “falsas” nos ensinam que não vale a pena abrirmos mão da nossa verdade, da nossa autenticidade, dos nossos valores morais e éticos. Essas pessoas também nos mostram que não vale a pena crescer profissionalmente deixando um rastro de destruição por onde passamos. Sucesso profissional não se limita apenas a ter bons cargos e dinheiro, mas principalmente, sermos reconhecidos e lembrados pelas pessoas que passaram por nossas vidas pelos bons exemplos que deixamos.

MEIRY KAMIA – Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Consultora Organizacional e Docente em MBA de Gestão de Pessoas. Também é ilusionista, premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais e treinamentos diferenciados, aliando Arte Mágica, Teatro e Psicologia. Site: http://www.meirykamia.com; contatos: 11-2359-6553; contato@meirykamia.com

Assessoria de Imprensa: Versátil Comunicação Estratégica – Vitor Deyrmandjian (vitor@versatilcomunicacao.com.br) Tel. (11) 2832-5509

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VOCÊ É AUTOCONFIANTE NO TRABALHO?

Autoconfianca

Entenda quando a falta de autoconfiança pode prejudicar seu sucesso profissional

por Meiry Kamia

www.meirykamia.com

Você sente a boca secar, o corpo tremer, o coração disparar, etc, toda vez que precisa falar com o chefe, fazer uma apresentação em público, tomar uma decisão importante no trabalho? Ou então, é perfeccionista demais, sempre se sente culpado quando algo dá errado, é bonzinho demais, busca sempre o reconhecimento dos outros? Saiba que esses são alguns sinais de que sua autoconfiança pode estar em baixa.

Autoconfiança é o sentimento de segurança em suas próprias capacidades, ela é importante para o sucesso profissional porque é base para comportamentos de iniciativa, proatividade, inovação, condução de processos de mudança, etc.

A falta de autoconfiança pode ser manifestada pelas relações de dependência (tanto com parceiros como com relação à colegas de trabalho e chefia), falta de iniciativa, perfeccionismo (porque o medo de errar é imenso, então checa-se várias vezes o mesmo trabalho para certificar-se de que nada está errado), medo de assumir responsabilidades, medo de decepcionar o outro, medo de mudanças, necessidade de reconhecimento e atenção alheia. A falta de autoconfiança traz sentimentos de impotência, insegurança, dúvidas com relação ao seu próprio valor.

Por outro lado, autoconfiança demais também pode ser negativa. Na verdade pessoas que demonstram autoconfiança em excesso escondem uma baixa autoestima. Usam a máscara da arrogância para esconder a parte frágil da personalidade.

Tanto a falta como o excesso de autoconfiança são causados pela falta de autoconhecimento. Por conhecerem muito pouco de si mesmos, sentem-se inseguros. A referência de ambos os casos são referências externas.

A autoconfiança é um dos pilares da auto-estima. A lógica é: se confiamos pouco em nós mesmos, então temos menos auto-respeito, portanto, gostamos menos de nós. A auto-estima é formada na infância. Algumas crianças entendem que, para serem amadas precisam ser boazinhas o tempo todo, fazer as vontades das outras pessoas (pais, professores, amigos, etc), e deixam de exercitar suas próprias vontades e capacidades.
Assim, elas se tornam especialistas nas necessidades e potencialidades dos outros, e se esquecem de conhecerem suas próprias necessidades e habilidades.

Mas a parte positiva de tudo isso é que autoconfiança tem solução. Abaixo, seguem algumas dicas para você aumentar a sua autoconfiança, e consequentemente, sua autoestima:

  • Aprofunde o autoconhecimento: conhecer suas potencialidades e fragilidades é imprescindível para desenvolver a autoestima. Se você não souber do que tem medo e quais as armas internas que você tem para utilizar a seu favor, dificilmente conseguirá sair do ciclo vicioso da insegurança e autosabotagem. Esse é um caminho interno, é algo que só você pode fazer por você. A psicoterapia é indicada porque o ajuda a enxergar pontos que você não consegue ver no momento, além de abrir para novas possibilidades.
  • Valorize seus pontos fortes: pessoas com baixa autoestima costumam enxergar apenas suas fragilidades, o que só alimenta o ciclo da baixa autoestima. Reconhecer o que você tem e faz de bom é imprescindível para aumentar o amor próprio, o autorespeito e a autoconfiança.
  • Exercite a gratidão: gratidão é base do sentimento de felicidade. Quem não consegue ser grato, jamais conseguirá ser feliz. Pessoas com baixa autoconfiança costumam se queixar do que não possuem, mas não reconhecem e não agradecem pelo que são e pelo que têm. Um exercício simples e prático para desenvolver esse precioso sentimento é listar em um papel pelo menos 10 pontos positivos de si mesmo, podem ser habilidades, qualidades, etc. Se quiser, também pode incluir na lista coisas/objetos que você possui e gosta (ex.: casa, carro, livros, etc). Todos os dias de manhã, você deve pegar sua lista e item por item, visualizá-lo e agradecer com todo o coração, o fato de você ter tal habilidade ou objeto que te faz feliz.
  • Cuide do visual: a autoconfiança começa na imagem. Sinta-se seguro no visual. Arrume o cabelo, trabalhe uma maquiagem leve, vista-se adequadamente. Comece a gostar da imagem que você vê no espelho.
  • Execute pequenas metas: não dá para confiar em quem diz uma coisa e faz outra. Você também se enquadra nessa afirmação. Procure estabelecer pequenas metas, simples e práticas e execute-as. Não deixe para depois. Vença sua preguiça e medo todos os dias. Por exemplo, você pode estipular que lavará a louça de casa assim que terminar o jantar. Não deixará para depois. Ou, no trabalho, você poderá desafiar-se a ser mais participativo nas reuniões. Se você se vencer todos os dias, nada irá te vencer. A coerência entre o que você diz e faz, ajuda a aumentar a confiança em si mesmo.
  • Exercite a iniciativa: aproveite oportunidades para exercitar a iniciativa no trabalho. Ofereça ajuda, pergunte, interesse-se em aprender mais. Você se surpreenderá em como rapidamente perderá a timidez diante das coisas que é capaz de realizar.

*Meiry Kamia é palestrante, psicóloga, mestre em Administração de Empresas, consultora organizacional. Diretora da Meiry Kamia – Consultoria, Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas (www.meirykamia.com).

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AMURT AMURTEL é finalista no PROJETO GENEROSIDADE – EDITORA GLOBO

Associação Beneficiente de Amurt-Amurtel_Page_1Associação Beneficiente de Amurt-Amurtel_Page_2

Caros Amigos,

A Associação Beneficente de Amurt Amurtel com a Creche Ananda Marga Universo Infantil (Jd. Guarani), foi agraciado com reportagem da revista Crescer da Editora Globo.

A Editora Globo tem o Projeto Generosidade, onde premia varias ONG’s de todo Brasil, que para eles são projetos de Trabalhos Transformadores, na área da educação, saúde, moradia, etc.; utilizam suas doze revistas para promover estas ações.

De 400 projetos, nossa Creche foi selecionados entre os 10 finalistas.

Estamos muito orgulhosos em poder compartilhar com nossos amigos e colaboradores, porque tudo que conseguimos alcançar, é devido ao apoio de vocês.

Muito obrigado por deixar isto acontecer.

São Paulo, Maio/2013.

Didi Jaya

CONHEÇA MAIS SOBRE O PROJETO:

AÇÃO SOCIAL: Creche Amurt Amurtel é notícia na Revista Crescer

Educação do corpo e da mente 

Creches públicas de ONG indiana ensinam conceitos como vegetarianismo, ioga e sustentabilidade a crianças da periferia de São Paulo

Por Carmen Guerreiro | Fotos Raoni Maddalena

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Periferia da capital paulista. As largas avenidas se transformam em ruas, que ficam cada vez mais estreitas e tortuosas até formar vielas de favelas. Entre os barracos e casas modestas, avista-se o colorido sobrado com a placa da prefeitura que identifica uma pequena creche. O CEI (Centro de Educação Infantil) Universo Infantil, localizado no Jardim Guarani, na zona norte, é uma das cinco instituições mantidas pela ONG Internacional Ananda Marga Universal Relief Team (Amurt-Amurtel) na cidade. À primeira vista, parece uma escola de educação infantil tradicional, com trabalhos de crianças espalhados pelas paredes, mobília em miniatura, brinquedos e livros. Mas alguns detalhes aqui e ali fazem o visitante perceber que há algo diferente. Como a plaquinha de madeira entalhada onde se lê a expressão hindi “Namaskar” (a divindade em mim reconhece a divindade que há em você, em tradução livre) encontrada em diversas salas da creche sustentável. Em funcionamento desde o início de 2011, o CEI possui um sistema de aproveitamento de água da chuva (que gera, em média, uma economia de 6 mil litros por mês), aquecedor de água solar, horta e jardim vertical e piso de borracha feito de pneus reciclados. A pintura do prédio, que foi reformado com materiais de demolição, é com tinta à base de terra e atóxica (que saiu 90% mais barata do que a convencional). A reforma privilegiou a iluminação e a ventilação natural e os forros da cozinha e do refeitório receberam isolamento térmico feito com embalagens Tetra Pak. 

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Mas as diferenças vão além do espaço físico. Ali, as crianças são educadas segundo uma filosofia propagada pela Ananda Marga no mundo inteiro: o neo-humanismo. Criada e difundida pelo filósofo indiano P. R. Sarkar, essa pedagogia busca envolver paralelamente o físico e o espiritual das crianças. E isso não tem nada a ver com religião. “Desenvolvemos a criatividade por meio de uma educação holística”, afirma a economista filipina Didi Jaya, em um português com forte sotaque, coordenadora das creches em São Paulo (elas também estão presentes em outros estados, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro). Isso significa, na prática, trabalhar com a interdisciplinaridade: escolhe-se um tema e, a partir dele, exploram-se diversos aspectos. Em julho, por exemplo, os alunos estudaram a preservação do meio ambiente. As atividades envolveram teatro, uma experiência científica com gelo para compreender os estados físicos da água, uma oficina para fazer brinquedo com lixo reciclado, entre outras. As crianças ainda trouxeram de casa a sua fruta preferida para estudar as sementes e seus nutrientes. “Mas o mais importante é saber ouvir o que elas têm a dizer”, acredita Didi, que é voluntária da ONG no Brasil há 15 anos e ajudou a levantar, tijolo por tijolo, cada uma das creches. 

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Na capital paulista, a Ananda Marga “ouve” 500 crianças de 0 a 4 anos de comunidades pobres – a fila de espera chega a dobrar o número de vagas existentes. Como as creches são conveniadas, elas recebem parte dos recursos necessários da prefeitura. Em troca, têm a liberdade de contratar quem quiser e de escolher o projeto pedagógico, desde que siga o cronograma do município. As professoras são pagas e registradas, mas 70% do trabalho é voluntário. 

 

Shantala, ioga e nada de carne 

 Além da filosofia neo-humanista, a Ananda Marga aplica outros métodos vindos da Índia. O primeira é a shantala, um tipo de massagem para bebês, que tem a função de tranquilizá-los por meio do contato pele a pele. Nas creches da ONG em São Paulo, elas são realizadas pelas professoras uma vez por semana. Já as crianças maiores, a partir dos 3 anos, participam de aulas de ioga semanais, onde aprendem as famosas posturas que imitam animais, a meditar e a controlar a respiração. O princípio dessas duas artes é flexibilizar e acalmar o corpo e, por consequência, a mente.

Outro princípio difundido pela ONG no Brasil é a alimentação vegetariana. As cinco refeições servidas diariamente nas creches não contêm carne, nem ovos (que também são considerados uma forma de vida). O cardápio, que é planejado por uma nutricionista e aprovado pela prefeitura, inclui iogurte natural feito na creche (cuja receita é muito requisitada pelos pais), carne de soja, tortas, arroz e feijão, entre outros vegetais. Tudo temperado com ervas que os próprios alunos plantam. A prefeitura oferece uma parte dos alimentos, que é comum a todas as creches conveniadas, e a ONG complementa com cereais, bolachas integrais, sucos, frutas e mais delícias. Didi faz questão de cuidar de perto da alimentação dos pequenos. Além de fazer a polenta que é servida às segundas-feiras, ela vai pessoalmente às feiras de rua da região na hora em que estão terminando para conseguir frutas e verduras mais baratas ou doadas.


As crianças aprovam: dos bebês aos maiores, todas raspam o prato. A dona de casa Cássia Helena Pinheiro, mãe de Breno, 3 anos, teve receio em relação ao cardápio sem carne no começo. “Mas ele está muito saudável e é isso o que importa”, diz. 

Mais cultura, menos religião 

O vegetarianismo e a filosofia neo-humanista, obviamente, causam estranhamento nas comunidades. Por isso, desde a matrícula, as diretoras das unidades deixam claro que não professam dogmas religiosos. E embora a maioria dos pais e professores das creches seja evangélica, todos ficam à vontade ali. Ana Paula da Silva, mãe da aluna Samiry, 3 anos, é uma delas. A princípio, também estranhou a comida e a didática, mas hoje está segura ao observar a desenvoltura da filha. “A Samiry tem muito mas facilidade para aprender as coisas hoje”, comenta. “Isso é importante para nós, pois queremos que as famílias sintam que somos a segunda casa das crianças”, afirma Didi. E ela já está craque em aprender as regras da comunidade. Certa vez, equipamentos foram roubados do local e a coordenadora procurou o líder do tráfico da favela. Em pouco tempo, encontraram os culpados e os objetos foram devolvidos. “É preciso ir com cuidado, senão você assina seu certificado de morte”, diz. Mesmo a aproximação com as famílias é feita aos poucos, para criar confiança. “Só depois que abraçamos os pais é que podemos dar bronca.” 


O abraço é forte, porque as creches se tornam uma referência onde se instalam. Didi dribla a falta de oportunidades dos alunos fazendo saídas pedagógicas, mas para isso depende de doações e parcerias. No Dia das Crianças do ano passado, por exemplo, conseguiu uma doação de 2 mil brinquedos para as comunidades. Além disso, um dos aliados ofertou passeios e móveis para os refeitórios. Outro amigo da coordenadora fecha, uma vez por ano, uma sala de cinema para as crianças. O carro usado por eles também é doado. 


E para angariar o que falta ao orçamento, a ONG ainda promove cursos (ioga, shantala, etc.) e eventos beneficentes, como jantares vegetarianos. Toda a equipe, das faxineiras às gestoras, é convidada a participar. Para Didi, falta de dinheiro não é desculpa para uma educação sem qualidade. “Nosso maior esforço é fazer as crianças sonharem. Só assim elas vão se esforçar para sair da difícil realidade em que se encontram hoje”, acredita.

crescer4Ver reportagem em: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI324501-10496,00-EDUCACAO+DO+CORPO+E+DA+MENTE.html

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