Preconceito: Preciso mudar o nome da minha filha?

Preconceito-racismo

Boa noite Meiry. Tenho uma filha, morena, de nome Clara que está com 1 ano e 5 meses. Tenho vontade de dar um outro nome a ela com medo do preconceito das pessoas. Isso fará mal psicologicamente pra minha bebê? O que vc me diz a respeito? Obrigada.  Eliane.

Querida Eliane, não precisa trocar o nome da sua filha, até porque o significado do nome Clara tem a ver com uma pessoa luminosa, que tem luz própria, brilhante, e isso nada tem a ver com a cor da pele. Preconceito só existe na cabeça de quem o tem, portanto, não alimente isso em você, não se preocupe, não tema. Se continuar a se preocupar, com certeza, acabará passando esse preconceito para sua filha e, aí sim, a questão poderá se transformar em um problema.

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Em busca da Igualdade nas Organizações

No mundo dos negócios, faz diferença ser homem ou mulher? Os dados de pesquisas indicam que sim, e muita!

Por Meiry Kamia

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Não há como negar que as mulheres chegaram para ficar no mercado de trabalho. Elas levam à sério seu trabalho e investem pesado para alavancar a carreira profissional. Dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) mostram que o nível de escolaridade feminina se mantém superior à masculina, desde a década de 90. Entretanto, tanto esforço e investimento, infelizmente, não se refletem em salários igualitários e chances iguais de crescimento profissional.

Consultorias especializadas em cargos e salários indicam que, no Brasil, as mulheres ainda ganham, em média, entre 15% a 25% menos que os homens. E, com relação à ocupação de cargos de gerência, os números deixam ainda mais a desejar para o universo feminino. Lobos, autor do livro “Amélia, Adeus” (2003) cita que, das 500 maiores empresas do país, as mulheres ocupam apenas 4,1% dos altos cargos. E complementa: “Se nas empresas brasileiras a discriminação contra a mulher não existisse, hoje haveria exatamente 750 delas nas equipes gerenciais das 300 maiores corporações do país. No entanto, são apenas 63” (p. 81-82).

Diversos estudos organizacionais confirmam a existência do fenômeno denominado “Teto de Vidro”, que seria uma espécie de “barreira invisível” que as mulheres enfrentam para ocuparem cargos mais elevados na hierarquia organizacional. Com o passar do tempo, essas barreiras se tornaram mais sutis e difíceis de detectar. E é justamente por parecer que as barreiras desapareceram é que temos a falsa impressão de que as mulheres tenham se igualado aos homens nos altos escalões das empresas.

Como resultado, se faz necessário um maior investimento psíquico por parte das mulheres na luta pelos mesmos cargos, principalmente quando entra em questão a conciliação com o espaço doméstico. Muitas vezes, a família e a maternidade, colocam em xeque a carreira profissional da mulher, pois grande parte dos encargos domésticos ainda permanece sob responsabilidade das mulheres. Sendo assim, a vida profissional concorre com a vida privada da mulher em seu papel de mãe e esposa. E tanto na percepção dos homens como das mulheres existe a expectativa de que a mulher abdique da vida profissional em prol do lar.

Gostaria de chamar a atenção para o parágrafo acima, pois nele é possível observar que os comportamentos, as percepções, os papéis sociais que desempenhamos em nossa sociedade nada mais são que reflexos de crenças e valores socialmente compartilhados. A educação pressupõe a formação de valores, então, se pensamos da forma como pensamos é porque fomos educados assim. Partindo desse pressuposto, isso significa que toda essa dificuldade que as mulheres enfrentam no mundo dos negócios nada mais é que o reflexo da educação que nossos bisavós deram para os nossos avós, e esses últimos, para nossos pais.

Sendo assim, é fácil perceber que as mulheres executivas ainda sofrem com as amarras dos papéis sociais tradicionais. E sofrem com a falta de papéis de mulheres executivas de sucesso em que possam se espelhar. Ao adentrarem no mundo dos negócios, as mulheres acabam provocando mudanças profundas no nível dos papéis sociais, o que gera muita angústia não só para as próprias mulheres, mas também para os homens e filhos, que precisam aprender a lidar com essa outra imagem de mulher e se adaptarem às novas responsabilidades que surgem em conseqüência disso. É difícil para os homens perderem as mulheres submissas. É difícil para os filhos perderem a mãe cem por cento disponível. Porém, o que se perde de um lado, se ganha de outro. Por outro lado, os filhos e maridos ganharão mulheres mais felizes, mais completas, mais femininas e mais humanas.

É importante enfatizar que, nesse processo, as mulheres não são apenas vítimas de uma situação. Ao contrário, são co-agentes, co-criadoras de uma realidade e formadoras de opinião. Se a responsabilidade maior pela educação ainda é da mulher, então, grande parte dos valores considerados machistas também foi e é disseminado por elas. Uma transformação mais rápida da sociedade depende diretamente dos valores e das atitudes compartilhados pelas próprias mulheres. E as perguntas que ficam são “Que valores estamos passando para nossos filhos?” e “Em que mundo gostaríamos que eles vivessem?”.