Não consigo dizer “não”!

DizerNao

Bom dia prezada Meiry Kamia, desejo saber se é normal dizer sempre sim, em algumas situações esqueço das minhas próprias decisões. Até mudo se for necessário para dizer sim.  (codinome: Natividade)

Prezada “Natividade”, dizer sim para tudo e o tempo todo não é saudável.  Principalmente quando permitimos que as pessoas invadam nosso espaço pessoal ou quando nos submetemos a fazer coisas que não gostamos, ou que vão contra as nossas crenças/valores. Permitir que isso ocorra com frequência só faz aumentar o ressentimento, a raiva, a frustração, além de acabar com a auto estima.  Um pouco de egoísmo, nesse caso, é necessário para preservar seu espaço pessoal e auto estima, mas cuidado para não começar a dizer “não” para tudo, se isso acontecer é porque a balança pendeu demais para o outro lado. Realmente, não é fácil encontrar o equilíbrio entre atender as suas necessidades e as necessidades dos outros.

Outro ponto importante é entender que “não concordar com a opinião dos outros” não significa “não gostar dos outros”, significa simplesmente que você pensa diferente. Não há mal nenhum nisso. Você também não é obrigada a entrar numa briga por não concordar. Também não tema não ser aceita ou amada simplesmente porque pensa de forma diferente. De fato, as pessoas gostam das pessoas autênticas, verdadeiras, e das não pessoas que se moldam à opinião de outras pessoas simplesmente porque têm medo de serem rejeitadas.

Meiry Kamia

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Indignada com o pai

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Prezada Meiry Kamia

Então, tenho 19 anos, sou evangélica minha família tbm, to desesperada porque agora pouco, um Ex namorado me ligou e ficamos conversando na boa, conversamos uma conversa boa saudável sem palhaçada até meu pai levantar pra ir no banheiro e vir bater na minha porta, brigando comigo porque eu estava duas horas da manhã no celular conversando.
Ele disse que isso ñ é coisa de moça de família, fiquei arrasada além de passar vergonha no celular com ele na linha, detalhe a gente se gosta ate hoje só terminamos porque meu pai me trouxe pra outra cidade devido a uns problemas de família que tivemos, quero saber se o que fiz estar errado, e o meu pai atitude dele está certa!? Não gostei estou indignada sou maior de idade não preciso dele me regulado concordam
?

Resposta: Oi Esther, é compreensível que você, na idade em que se encontra, acredite que a postura do seu pai esteja errada, mas na realidade ele só está querendo te proteger. Você está no período da adolescência, que é um período complicado não só para você, mas principalmente para os seus pais. Você, provavelmente, já se sente independente e madura. Entretanto, ainda depende financeiramente e psicologicamente de seus pais. A preocupação de seus pais é que você já possui um corpo maduro, ou seja, que já pode engravidar, mas talvez eles sintam que você não esteja madura o suficiente para enfrentar todos os problemas que a vida adulta traz. A preocupação do seu pai com relação ao namoro é por conta das consequências que isso pode trazer. Então, a melhor forma de lidar com isso nesse momento é tendo paciência. Entendo que a palavra “paciência” seja de difícil entendimento para um jovem, mas procure entender o ponto de vista de seus pais. Evite ficarem tantas horas ao telefone para que o namoro já não se inicie com um prejuízo financeiro aos pais. Evite gastar dinheiro comprando presentinhos ou roupas novas apenas para exibir ao namorado. Maturidade significa compreender as consequências futuras de suas próprias ações. Ao agir pensando também na saúde financeira de quem te sustenta você está mostrando respeito e maturidade. Com o tempo, seus pais entenderão que você é uma pessoa capaz de se sustentar sozinha, enfrentar problemas e ainda cuidar de filhos caso escolha ter uma família. Ai sim você terá conquistado seu ‘cartão verde’ para a vida.

Boa Sorte!

Meiry Kamia

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Prejuízos que a raiva traz ao trabalho

Por Meiry Kamia

Maurício estava com os nervos à flor da pele! Discutira com a esposa logo cedo, chegara atrasado à reunião com a chefia, onde descobriu uma falha no sistema por conta de um erro de sua equipe. “Droga! que mais falta acontecer?” pensou irritado. Olhou no relógio. Estava atrasado novamente. Entrou apressado no carro. Era a primeira visita naquele cliente. Não poderia chegar atrasado. Calculou rapidamente o trajeto. Se desse sorte em 20 minutos ele conseguiria chegar. Foi pela pista da esquerda, de repente, um carro entrou na sua frente. Maurício sentiu o sangue subir! “Filho da…!” gritou. “Isso não vai ficar assim!” pensou. Espremeu o volante com os dedos, os músculos da face se fecharam, num impulso, meteu a mão na buzina, acelerou quase colando no carro da frente. O carro da frente foi freando, forçando Maurício a parar o carro. Um homem corpulento saiu do carro da frente em direção a Maurício. A raiva de Maurício aumentou ainda mais “quem ele pensa que é? Tá me enfrentando?” pensou. Num ímpeto, Maurício saiu do carro e os dois se atracaram no meio da rua. Resultado: Maurício perdeu a reunião importante e ainda ganhou alguns hematomas.

Muitas vezes, a raiva nos faz agir de forma impensada, nos levando a desfechos negativos. Num momento de raiva, pessoas podem falar o que não devem, tomar decisões precipitadas, como pedir demissão, por exemplo, e se tornar agressivos, gerando prejuízos a si próprios, para os envolvidos, e para a própria empresa.

Há pouco tempo, tivemos um grande exemplo do tamanho do prejuízo que uma pessoa raivosa pode causar à imagem e à saúde financeira da empresa em que trabalha. A atendente, irritada com a cliente, troca o nome da cliente no cadastro, substituindo por “vadia”. O caso teve repercussão nacional e pode custar uma indenização milionária à empresa.

No nível pessoal, a raiva pode trazer prejuízo à autoimagem, aos relacionamentos, aos processos de tomada de decisão, além de problemas financeiros, físicos (fraturas, hematomas, etc), e de saúde, como pressão alta, problemas cardíacos, gastrite, entre outros.

A raiva é uma das emoções mais difíceis de controlar, segundo a psicóloga Diane Tice. A raiva traz energia, exalta os ânimos, trazendo uma sensação ilusória de poder e invulnerabilidade.

Todas as emoções geram energia que nos põe em movimento. Essa energia pode trazer resultados tanto positivos como negativos. A inteligência emocional coloca que a energia da raiva, quando mal canalizada, potencializa a violência e gera destruição. Ao passo que a mesma energia, quando bem canalizada, potencializa a força e gera grandes realizações.

Mas para controlar a raiva é preciso conhecer seu mecanismo. Segundo o psicólogo Dolf Zillmann, a raiva possui um disparador universal, que é a sensação de perigo. Sensação essa que pode advir de um ataque físico (empurrão, tapa, cotovelada, etc), ou de uma ameaça simbólica à auto-estima ou dignidade.

Ao sentir o ataque, o cérebro primitivo – Sistema Límbico (sede das emoções) – libera catecolamina, o que dá um rápido surto de energia. Ao mesmo tempo, a Amigdala Cortical percorre o ramo hipotálamo-adrenocortical, que gera um efeito mais duradouro que a catecolamina, podendo durar dias, mantendo o cérebro em prontidão, e um efeito cumulativo caso a pessoa sofra algum outro episódio de raiva. Sendo assim, raiva alimenta a raiva, até que a pessoa “explode” por algo nem tão importante, mas é a “gota d´água”. Um nível muito alto de raiva gera o que Dolf Zillmann nomeou como “incapacitação cognitiva”, situação em que a pessoa não consegue raciocinar.

Dar vazão à raiva não é a melhor forma de lidar com ela, e sim interceder racionalmente antes que ela se acumule. Então, aqui vão algumas dicas para que você elimine a raiva antes que ela acabe com você!

1º passo: Perceba a raiva – o mais importante é perceber que está ficando com raiva. Preste atenção se o “gatilho” foi acionado e vá para o segundo passo.

2º passo: afaste-se do causador da raiva – se a discussão foi com um colega de trabalho, chefia ou subalterno, saia do ambiente por alguns momentos.

3º passo: procure distrair a atenção. Ruminar a raiva só faz aumentar ainda mais a raiva, porque só vamos encontrando ainda mais justificativas para manter a raiva viva. Segundo o estudo da psicóloga Diane Tice, uma boa artimanha é distrair a atenção, pensando em outra coisa. Você pode caminhar, fazer algum exercício físico, ou relaxamento mental, exercício de respiração, também vale ler um livro, etc. Tente fazer coisas que prenda sua atenção para outro foco.

4º passo: procure enxergar as situações por outro ângulo: por exemplo, se estiver no trânsito pense “nem toda fechada é proposital”.  No trabalho pense “nem toda crítica tem o objetivo de ferir o seu ego”. No casamento pense “ele(a) fez algo negativo, mas ele(a) também já me fez coisas positivas”. Ou então, pense no prejuízo que a raiva lhe trará caso você dê vazão a ela. O freio da raiva deve ser racional.

Esse quarto passo é fundamental para o controle da raiva e para a canalização desta energia para algo positivo, trazendo para você mesmo grandes realizações e uma qualidade de vida muito melhor!

MEIRY KAMIA – Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas e Consultora Organizacional. Site: http://www.meirykamia.com; contato: contato@meirykamia.com

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